Olá a todos! Na newsletter de Maio, falamos sobre alimentação. Este número atrasou um pouco devido aos preparativos da expedição de nosso colaborador Christian Fuchs que está a essa hora no caiaque iniciando uma remada de 720km, partindo de Recife até Salvador com duração prevista de 23 dias. Desejamos ótimas condições de mar a ele e vamos acompanhar a “empreitada” pelo link abaixo:
720 Km de Caiaque

E como a newsletter Kampa não pode parar fomos buscar uma participação especial, direto da África: Álvaro Neil, “El Biciclown”, escreveu um texto especialmente para a newsletter Kampa. Álvaro é de Asturias na Espanha, estudou Direito e Clown (performance cômica). Atividades aparentemente incompatíveis. Vendeu seu carro e demitiu-se de seu emprego fixo em um cartório em Madrid, para percorrer o mundo de bicicleta e oferecer gratuitamente espetáculos de clown as pessoas mais humildes.Com vocês, o próprio Biciclown:

Duas árvores e um pouco de distância
Olá amigos da Kampa. Estou a ponto de entrar em um dos países mais áridos do planeta: Sudão, um planejamento impossível para um viagem desse tipo: 2004-2014 World Tour e minha chegada ao Sudão coincide com o verão, e por conseqüência o termômetro poderá chegar aos 60 graus.
Depois de quase três anos percorrendo a África e mais de 33.000 kms, ainda sorrio satisfeito quando, no meio de uma jornada cansativa, avisto duas árvores. É preciso que não estejam muito longe uma da outra, nem tão pouco muito próximas. Também é indispensável que seja um tronco resistente caso contrário tenho que usar a imaginação e a imaginação é como a flexibilidade, se não exercita perde.

Isso me faz lembrar de Bitam, uma cidade do Gabão onde a escassez de recursos exercita a imaginação de muitos meninos. Pelas estradas da África é normal ver crianças brincando com carrinhos de madeira que eles mesmo fabricam. Normalmente é seu único brinquedo e ocasionalmente dividem com seus irmãos que são muitos.
Em plena era do titânio e do alívio de peso a todo custo você consegue imaginar alguém andando com uma bicicleta de madeira? Pois bem aqui esta a foto.

Outro história marcante foi conseqüência de uma pequena ferida que por quatro dias insistia em me acompanhar e obrigou-me a visitar um hospital em Tanguieta no Benin.
Depois de ser atendido consegui falar com a freira superiora que prontamente aceitou a minha oferta para fazer um espetáculo de clown para as 115 crianças internadas no hospital. Os menores que não podiam sair das camas foram os primeiros a serem visitados. Para muitos era a primeira vez que viam um clown e eu devia conduzir com cuidado para não assustá-los. Cerca de 400 pessoas assistiram a exibição do biciclown, e na platéia também estavam os funcionários. Por uma hora a vida do hospital parou para sorrir no pavilhão de ortopedia. Espero que o destino continue trazendo feridas tão doces em meu caminho e que não se passem outros 30 anos até que outro clown volte a visitá-los .

No momento que recebe essa newslettter, devo estar em algum lugar no meio do deserto do Sudão e uma das 10 perguntas que mais recebo é se não tenho medo. Respondo que em algum lugar li a seguinte frase: “aquele que teme por sofrer, já sofre por temor”. Tenho (tinha) somente medo de viver uma vida monótona e previsível.Desde la ruta, Paz y Bien, día 923, Álvaro Neil, el biciclown.
>www.biciclown.com

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