Olá pessoal, depois de um bom tempo sem escrever olha eu aqui de volta para trazer mais uma aventura que ficará marcada para o resto da minha vida.
Viagens sempre começam com uma ideiazinha plantada na cabeça, que vai crescendo, tomando forma, até o dia que você está com a mochila nas costas, pronto pra botar em prática todo aquele seu longo planejamento.
Essa viagem começou desse jeito, após uma conversa com um amigo, que nos mostrou umas fotos e mapas de um parque chileno, praticamente desconhecido e pouquíssimo freqüentado, (em torno de 300 pessoas ano, em sua maioria pesquisadores) : Parque Jeinimeni, onde começa a famosa Caretera Austral, perto da cidade de Chile Chico.

Fevereiro de 2008, juntamos 6 amigos em 2 carros e lá fomos nós, pra uma viagenzinha de mais de 12.000 km, por várias culturas e países diferentes, até essa região lindíssima e meio isolada da Patagônia.
Demos muita sorte com o tempo e praticamente não tivemos chuva, muito comum nessa região. Ferdinando, um guia chileno que conhece todos os caminhos do parque nos levou de carro até o início da trilha que fica na parte alta do parque, de onde desceríamos por 5 dias vales e florestas bem pouco freqüentadas, até a beira do lago General Carrera. Antes de ir embora, ainda nos ensinou como atravessar rios de degelo caudalosos, numa espécie de fila indiana, onde o primeiro serve de escudo, abrindo a água para os demais e os outros o escoram, pra ele não sair boiando.

No primeiro dia passamos pela Laguna Esmeralda e Verde, com montanhas nevadas e bosques caducifólios, numa paisagem lindíssima. Quase não havia trilha e nos guiávamos pelas indicações do Ferdinando, caminhando grande parte do tempo, pelos leitos de pedras dos rios, cruzando-os a toda hora, com os seus 5 a 10°C. Depois do terceiro riozinho, você já não sente mais nada…
Armamos as redes e barracas em um bosquezinho lindo, admirando os condores voando bem alto.

No segundo dia, no vale do rio Ventisquero nos deparamos com alguns glaciares e a paisagem mudou algumas vezes, de árido a florestas verdes, onde armamos o acampamento. Lá deu pra perceber nitidamente, que a Terra está em processo de aquecimento: todos os glaciares estão regredindo, deixando sempre uma grande lagoa rodeada por paredes de pedregulhos, que um dia ele empurrou.

No terceiro dia andamos praticamente o dia todo sem trilha, meio perdido, porém na direção correta através dos bosques pouco densos, mas trabalhosos de caminhar, devido à grande quantidade de árvores tombadas pela neve e vento. No final do dia, já bem cansados, ainda tivemos que encontrar uma maneira de descer por escarpas, uma emoção a mais na caminhada, que acabou à margem do maior rio que teríamos que atravessar. Como o tempo estava bom, decidimos deixar a travessia pro outro dia cedo, pra acamparmos em um lugar mais gostoso.E foi bem esse o nosso grande erro!

Quarto dia às 5 da manhã fui acordado com uma baita chuva e às 6 fui dar uma olhada no rio: estava um palmo mais alto, mas nada preocupante, ainda…
Desarmamos o acampamento, estamos terminando o café, quando o Lelê volta com cara de muito assustado da beira do rio: o rio tinha subido quase um metro, ficou marrom de barro e desciam árvores inteiras, arrastadas pela água nervosa! Foi-se a nossa esperança de atravessar o rio. Um pouco abaixo da nossa travessia existia um cânion, que se alguém fosse arrastado até lá, não sei se sairia vivo…

A espera foi longa e tensa, pois nunca tínhamos passado por uma situação dessas, com um rio tão revolto e ao mesmo tempo gelado. Parecíamos o Christopher McCandless, personagem do filme Natureza Selvagem ao deparar com um rio de degelo. Não sabíamos se arriscaríamos a travessia ou se seria mais prudente voltar os 3 dias de caminhada, sendo que só tínhamos comida pra mais 1 dia. Ao meio dia o rio começou a baixar lentamente. Entrei na água para tentar atravessá-lo sozinho, mas sem chance.
Às 5 da tarde resolvemos que íamos atravessá-lo em 3 na formação aprendida. Até a metade foi bem, mas quando a água gelada começou a passar da cintura e a corrente ficou forte demais pra agüentar e foi todo mundo rolando pelo rio, de mochilão pesado… vou confessar que não foi a melhor experiência da minha vida! Saímos da água na outra margem tremendo de frio, instalamos uma corda pra atravessar os que ficaram, mas outra vez sem sucesso. Mais stress!

Esperamos até as 7 da noite, quando a Dani tomou coragem e resolvemos encarar o rio de novo. Respiramos fundo e dessa vez foi! Nada com um treininho antes!
Neste mesmo dia tivemos que caminhar até não agüentar mais para recuperar o tempo perdido. Por volta das 23h desabamos no chão de cansaço e montamos acampamento no meio da trilha.

No outro dia, que era o quinto e último encontramos mais um rio pela frente, porem esse foi bem mais tranqüilo, caminhamos rápido por entre florestas de árvores centenárias e conseguimos finalizar a caminhada a tempo de pegar um belo jantar de truta em Chile Chico.

Abaixo tem um filminho de apenas 5min onde você poderá sentir um pouco da emoção e apreciar as paisagens de tirar o fôlego.

Abraços e até a próxima aventura,

Christian Fuchs

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