Olá amigos.Vou relatar a vocês mais uma trilha que fiz com rede com um grupo de amigos no início de Setembro ao PETAR – Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, localizado à sudoeste do Estado de São Paulo.

Fui acompanhado de pioneiros, o ramo dos jovens mais velhos no escotismo, todos estes do Grupo Escoteiro Raposo Tavares.
Saímos de São Paulo por volta de 22:00 na sexta feira (31/08) e chegamos no Núcleo Caboclos, no PETAR por volta de 1:30 da manhã. Ficamos hospedados em um camping que cobrou a pernoite por R$6,00.
Saímos do camping com as mochilas nas costas por volta das 9:00 em direção à caverna Temimina. A mata em alguns pontos era secundária, ou seja, já fora derrubada alguma vez, mas adentrando mais pela trilha, entramos em pontos onde ela era primária; grandes árvores nos espiavam enquanto enormes paredões de pedra se empunham sobre estes pequenos visitantes. As Arapongas nos avisavam que estávamos em seu território.

Fizemos uma parada para fazer o almoço em um grande abismo da Temimina que outrora foi um grande salão da caverna onde o teto colapsou. Infelizmente, vimos muitos rastros de pessoas lá. Não rastros como pegadas, mas restos de fogueira, cigarros, papel higiênico e até um saco plástico de quase 2 kg cheio de cal, que certamente era carbureto consumido, abandonado em uma fenda dentro de uma caverninha. Esvaziei o saco plástico e juntei o lixo, o que me rendeu uma sacola cheia.
Com as mochilas nas costas seguimos pela trilha, que agora era mais feita por “escalaminhada”. Chegando na Temimina por volta das 15hs vimos a grandeza desta caverna, com cerca de 30 ou 40 mts de altura.

Dentro dela, há um grande desnível que leva para as partes mais subterrâneas, onde há um rio escondido. O chão é coberto de uma areia fina a ponto de parecer farinha, fazendo com as mochilas ficassem barrentas com uma simples encostada no chão, já que estavam umedecidas com a trilha.
Sempre evitando de encostar nas estalagmites, afinal algumas levam 150 anos para crescer 1mm, montamos nosso acampamento. Alguns montaram as barracas, outros abriram o sleeping no chão e eu montei minha rede em duas agarras do paredão. Só na hora de dormir que pude deitar, já que ninguém queria sair da minha rede.

Foi difícil usar a minha rede

Já recolhidos, começamos a preparar a janta: Um sopão para esquentar e depois uma macarronada com atum. Neste meio tempo recebemos a visita de dois animais, muito parecidos com o gambá. Eles, na verdade, se chamam Cuíca-de-Quatro-Olhos (Philander opossum) e um deles era muito atrevido a ponto de ir farejar nossas mochilas mesmo estando aos nossos lados. Houve até um momento, na hora da janta, que um deles subiu em meu braço para alcançar a panela cheia de macarrão, mas afastamos logo animal curioso.
Provavelmente alguém já dera alguma coisa para eles comerem, fazendo assim com que não ficassem tímidos com a presença do homem. Nos precavemos pendurando todos os alimentos na parede da caverna, que era negativa. Mesmo assim, um de nós acordou no meio da noite com um deles tentando escalar a parede para alcançar os alimentos.

A noite foi muito tranqüila e sem a presença alguma de pernilongos e borrachudos.
Saímos no dia seguinte pela manhã e chegamos a nossos carros por volta das 14hs.
O local é muito bom, reservado e preservado. É impressionante avistar no meio da mata árvores e cavernas com tamanha imponência, porém super sensíveis com nossa presença.

Até mais!

Flávio Yamamoto

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