“Os muros do Brasil ficam cada vez mais altos – e cada vez mais adornados por acessórios tétricos como fios de alta tensão e lanças pontudas. Há cada vez mais guaritas nas esquinas, cada vez mais grades nas janelas, cada vez mais holofotes nas calçadas, cada vez mais câmeras, cada vez mais voltas na fechadura e, o que mais me assusta, cada vez menos crianças brincando na rua.

Os carros parecem cada dia mais com fortificações – são como jipes de guerra, isolados do mundo por detestáveis vidros fumê, que impossibilitam o contato visual.
Acontece que medo é um sentimento perigoso. Mais gente com medo significa menos gente na rua – portanto mais crime. Significa mais gente armada, mais gente disposta a agredir os outros (porque comportamente agressivo é típico de gente assustada). Enfim, medo não funciona.

Eu morro de medo do efeito que esse medo pode ter no nosso futuro. Será que estamos criando uma geração de gente que não vai aprender a conviver com quem é diferente dele? Uma geração de gente que não cresceu na rua, que não teve que se virar gerenciando os riscos inerentes à vida? Uma geração de gente que não se garante?

Viver é perigoso mesmo. Viver mata. Mas são os riscos que fazem a vida valer a pena. As ruas estão cheias de perigo – não nego isso. Mas é convivendo com esses perigos, encarando-os de olho no olho, que a gente se torna melhor, que a gente aprende a viver (”viver é conviver”, sempre diz minha tia-avó).
Se o Brasil aprender a vencer o medo, tem uma baita oportunidade de servir de exemplo para o mundo de convivência na diversidade. Se não aprender, vai virar um país besta, sem nada de especial.”

Se não consegue visualizar o vídeo, clique aqui!

Texto parcial extraido do Blog Sustentável é Pouco do Denis Russo.
Filme : Violência S/A de de Jorge Saad, Eduardo Benaim e Newton Cannito

2 Replies to “Geração Medo de Viver ao Ar Livre”

  • Conforme visto neste artigo cada vez mais a pessoas procuram se isolar da diferença, procuram dentro do shopping ou do seu condomínio estar sempre cercados, seguros no que chamam de privativo.

    Quando lembro do meu tempo de criança onde todos independente da classe social estavam juntos dividindo o mesmo campo de futebol, esses espaços públicos de integração não existem mais. Hoje a rua onde é lugar de “bandido”. Não sei porque, mas sempre que posso tento quebrar essa barreira e correr o risco de ser mais humano.

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