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23.10.08

 

Travessia Parque Jeinimeni - Chile Chico - Chile

Olá pessoal, depois de um bom tempo sem escrever olha eu aqui de volta para trazer mais uma aventura que ficará marcada para o resto da minha vida.

Viagens sempre começam com uma ideiazinha plantada na cabeça, que vai crescendo, tomando forma, até o dia que você está com a mochila nas costas, pronto pra botar em prática todo aquele seu longo planejamento.
Essa viagem começou desse jeito, após uma conversa com um amigo, que nos mostrou umas fotos e mapas de um parque chileno, praticamente desconhecido e pouquíssimo freqüentado, (em torno de 300 pessoas ano, em sua maioria pesquisadores) : Parque Jeinimeni, onde começa a famosa Caretera Austral, perto da cidade de Chile Chico.

Fevereiro de 2008, juntamos 6 amigos em 2 carros e lá fomos nós, pra uma viagenzinha de mais de 12.000 km, por várias culturas e países diferentes, até essa região lindíssima e meio isolada da Patagônia.
Demos muita sorte com o tempo e praticamente não tivemos chuva, muito comum nessa região. Ferdinando, um guia chileno que conhece todos os caminhos do parque nos levou de carro até o início da trilha que fica na parte alta do parque, de onde desceríamos por 5 dias vales e florestas bem pouco freqüentadas, até a beira do lago General Carrera. Antes de ir embora, ainda nos ensinou como atravessar rios de degelo caudalosos, numa espécie de fila indiana, onde o primeiro serve de escudo, abrindo a água para os demais e os outros o escoram, pra ele não sair boiando.

No primeiro dia passamos pela Laguna Esmeralda e Verde, com montanhas nevadas e bosques caducifólios, numa paisagem lindíssima. Quase não havia trilha e nos guiávamos pelas indicações do Ferdinando, caminhando grande parte do tempo, pelos leitos de pedras dos rios, cruzando-os a toda hora, com os seus 5 a 10°C. Depois do terceiro riozinho, você já não sente mais nada...
Armamos as redes e barracas em um bosquezinho lindo, admirando os condores voando bem alto.

No segundo dia, no vale do rio Ventisquero nos deparamos com alguns glaciares e a paisagem mudou algumas vezes, de árido a florestas verdes, onde armamos o acampamento. Lá deu pra perceber nitidamente, que a Terra está em processo de aquecimento: todos os glaciares estão regredindo, deixando sempre uma grande lagoa rodeada por paredes de pedregulhos, que um dia ele empurrou.

No terceiro dia andamos praticamente o dia todo sem trilha, meio perdido, porém na direção correta através dos bosques pouco densos, mas trabalhosos de caminhar, devido à grande quantidade de árvores tombadas pela neve e vento. No final do dia, já bem cansados, ainda tivemos que encontrar uma maneira de descer por escarpas, uma emoção a mais na caminhada, que acabou à margem do maior rio que teríamos que atravessar. Como o tempo estava bom, decidimos deixar a travessia pro outro dia cedo, pra acamparmos em um lugar mais gostoso.E foi bem esse o nosso grande erro!

Quarto dia às 5 da manhã fui acordado com uma baita chuva e às 6 fui dar uma olhada no rio: estava um palmo mais alto, mas nada preocupante, ainda...
Desarmamos o acampamento, estamos terminando o café, quando o Lelê volta com cara de muito assustado da beira do rio: o rio tinha subido quase um metro, ficou marrom de barro e desciam árvores inteiras, arrastadas pela água nervosa! Foi-se a nossa esperança de atravessar o rio. Um pouco abaixo da nossa travessia existia um cânion, que se alguém fosse arrastado até lá, não sei se sairia vivo...

A espera foi longa e tensa, pois nunca tínhamos passado por uma situação dessas, com um rio tão revolto e ao mesmo tempo gelado. Parecíamos o Christopher McCandless, personagem do filme Natureza Selvagem ao deparar com um rio de degelo. Não sabíamos se arriscaríamos a travessia ou se seria mais prudente voltar os 3 dias de caminhada, sendo que só tínhamos comida pra mais 1 dia. Ao meio dia o rio começou a baixar lentamente. Entrei na água para tentar atravessá-lo sozinho, mas sem chance.
Às 5 da tarde resolvemos que íamos atravessá-lo em 3 na formação aprendida. Até a metade foi bem, mas quando a água gelada começou a passar da cintura e a corrente ficou forte demais pra agüentar e foi todo mundo rolando pelo rio, de mochilão pesado... vou confessar que não foi a melhor experiência da minha vida! Saímos da água na outra margem tremendo de frio, instalamos uma corda pra atravessar os que ficaram, mas outra vez sem sucesso. Mais stress!

Esperamos até as 7 da noite, quando a Dani tomou coragem e resolvemos encarar o rio de novo. Respiramos fundo e dessa vez foi! Nada com um treininho antes!
Neste mesmo dia tivemos que caminhar até não agüentar mais para recuperar o tempo perdido. Por volta das 23h desabamos no chão de cansaço e montamos acampamento no meio da trilha.

No outro dia, que era o quinto e último encontramos mais um rio pela frente, porem esse foi bem mais tranqüilo, caminhamos rápido por entre florestas de árvores centenárias e conseguimos finalizar a caminhada a tempo de pegar um belo jantar de truta em Chile Chico.

Abaixo tem um filminho de apenas 5min onde você poderá sentir um pouco da emoção e apreciar as paisagens de tirar o fôlego.

Abraços e até a próxima aventura,

Christian Fuchs

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1.9.08

 

Exposição Fotográfica da Expedição Desafio nos Andes

Olá pessoal!

Estará acontecendo amanhã a exposição fotográfica e coquetel da viagem de três amigos escoteiros que atravessaram os Andes de bicicleta aqui em São Paulo das 19 às 21hs.

A viagem iniciou na cidade de Puerto Montt no Chile e terminou em Playa Union na Argentina. O percurso de 1200km foi completado em 25 dias.

Vale à pena dar uma conferida!

Abraços!

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23.4.08

 

Explorando o Rio Roosevelt a Remo

Fizemos a terceira descida do histórico Rio Roosevelt no mês de maio de 2003, em uma expedição de seis pessoas, cobrindo cerca de 650 quilômetros pelos estados de Rondônia, Mato Grosso e Amazonas. Foram 25 dias viajando auto-suficientes em canoas, dos quais metade foram gastos para cobrir os 150 km iniciais, dentro da Reserva Indígena Roosevelt, terra dos índios Cinta-Larga, onde havia corredeiras fortes e freqüentes. A segunda metade cobriu partes surpreendentes de um rio Amazônico que é “fechado por corredeiras”, já que além das do trecho inicial o rio também tem corredeiras bem fortes – até classe V – no seu trecho final, já próximo a sua foz, no Rio Aripuana.
No contexto amazônico, o Rio Roosevelt se destaca por varias razões. Primeiro, por ser um rio “ilhado” por causa das corredeiras no início e final, tornando a sua navegação bastante técnica e trabalhosa. Depois, pela história de sua exploração em uma expedição antológica, liderada pelo Marechal Rondon e pelo ex-presidente americano Theodore Roosevelt. Além disso, chama a atenção a dificuldade de acesso, o grau de preservação da sua maioria e o isolamento em que se encontram as poucas comunidades ao longo do rio. Para ler o restante desse relato,
clique aqui!

Curiosamente, as três descidas do rio foram expedições internacionais. Em 1909 a Comissão Rondon cruzou com um rio até então desconhecido dos cartógrafos ao entrar na região onde atualmente é a Rondônia. Foi o primeiro registro do Rio da Dúvida. No ano de 1914, Roosevelt fazia uma viagem ao Brasil e outros países da América do Sul com o objetivo de dar palestras e coletar espécies para o Museu de História Natural de Nova York. Uma vez no Brasil, acabou convidado a acompanhar o Coronel Rondon na expedição pelo ainda inexplorado Rio da Dúvida. Este rio, que nascia no então território do Guaporé e descia em direção ao norte, jamais fora percorrido pelo homem civilizado, e nem se sabia ao certo onde desembocava. Após 48 dias e muitas dificuldades, remando em canoas feitas de troncos de arvores, haviam mapeado todo o traçado do rio, que foi rebatizado como Rio Roosevelt nesta viagem.

Na década de 80, Tweed Roosevelt, neto do ex – presidente e bem sucedido investidor, contratou um equipe de guias da companhia americana Sobek para organizar uma descida ao rio, curioso para conhecer e explorar as pegadas de Theodore. Completaram a descida em condições bem diferentes, utilizando auxílio de helicóptero, bases estabelecidas em locais do rio para reabastecimento, balsas de rafting, caiaques e embarcações a motor. Índios Cinta Larga lhes serviram de guias e também contavam com apoio de brasileiros na expedição.

A nossa expedição teve um caráter e estilo próprio bem diferente. Para explorar o rio de acordo com nossos interesses optamos por canoas. É uma alternativa que minimiza impactos ambientais (combustíveis, ruído) e sociais (meio de transporte usual na área); é fácil de transportar tanto em transportes coletivos quanto ao redor de obstáculos, leiam-se corredeiras e cachoeiras (sendo que ai não requer alteração no ambiente para tal), é uma alternativa viável para expedições de baixo orçamento e proporciona um ritmo de viagem em sintonia com o ritmo local.

Escolhemos o Rio Roosevelt na região sudoeste da bacia amazônica através de uma série de coincidências: a época do ano (maio-junho) era ideal na região, pois marcava o início da “seca” e garantiria bom nível de água, um dos participantes era americano e já havia lido um artigo escrito sobre a viagem de Roosevelt e Rondon, suspeitávamos que estaríamos fazendo a terceira descida do rio (fato confirmado durante nossa expedição), poderíamos nos deslocar para a região de ônibus, e ao olhar nas cartas de escala 1:1.000.000 havia muitos trechos com “cachoeiras” no seu alto curso. Escolhemos as rotas de entrada e saída no rio pensando em o quão remotos gostaríamos de estar, o nível técnico das corredeiras do rio e o tempo disponível.
A expedição em si teve cinco etapas: o planejamento, preparação e chegada no rio; o difícil e remoto trecho de corredeiras; o longo e hospitaleiro curso médio do rio; o grande rio Roosevelt, e os resultados e desdobramentos da pós-expedição.

O foco do planejamento foi segurança e simplicidade. Na prática foi simples, já que a equipe, equipamentos e recursos disponíveis estavam definidos. O que deu mais trabalho foi levantar algumas informações (ex: se havia transporte público na transamazônica; info de contato via rádio das três fazendas da margem do rio; periculosidade da região - garimpo e madeireiros; etc.), enquanto as informações e recursos fáceis de obter foram referentes à saúde e doenças, como mapa de endemismo de malária, leishmaniose, soro antiofídico, etc. A “lição de casa” pronta, partimos para Rondônia e aí sim começou o exercício de flexibilidade. Chegar ao rio num período onde a região estava sob intensa intervenção da policia por causa de um garimpo fechado dentro da reserva indígena, negociar com os índios para ter permissão para cruzar sua reserva, FUNAI, checar as opções de evacuação aérea locais, etc.

Finalmente começamos a remar. Já no primeiro dia no rio tudo muda, agora é entre nós e com o Rio Roosevelt. Aos poucos vamos nos familiarizando com suas águas, corredeiras, margens, vegetação, insetos, tipo de acampamento, pássaros, luzes, etc.

Dos diários de viagem:
“Dia 4: a coisa começa a ficar séria quando encontramos as primeiras corredeiras classe IV. Carregamos canoas e equipamentos pela lateral do rio. Encontramos as primeiras formigas cortadeiras. Descemos a parte final da corredeira nas canoas. Átila e André, Fábio e Flávio são empurrados em direção a pedra na direita do rio. Flávio cai da canoa nos rodamoinhos. Jon e Jim descem limpos. Trecho emparedado em cânion, André e Átila viram ao fazer um ferry. Reunimos-nos na margem antes de continuar. Chegamos a uma corredeira classe IV (afunilamento e queda de alguns metros) após cerca de 20 km no rio (primeiros macacos e ariranhas avistados hoje). Decidimos acampar na imensa laje de pedra junto à corredeira. Lua cheia, araras vermelhas, eclipse.

Dia 5: aproveitamos o local de descanso para a prática de resgate e natação em corredeiras. Jim toma várias picadas de vespa na cabeça ao topar com um ninho na mata – tx anti-histamínicos e analgésicos. Jon inicia o cuidadoso e importante ritual de cuidar dos alimentos: secar e arejar (tivemos legumes frescos até o último dia da viagem!). As redes de selva servem como saco de bivaque. Primeiros reparos no casco das canoas. Poucas abelhas e selva densa. Inscrições rupestres nas rochas!!!”

Após 12 dias temos o primeiro contato com outras pessoas, a balsa da Fazenda Muiraquitã, uma das fazendas que veríamos no médio curso do rio. Só chegamos a sua sede no dia seguinte, de onde André toma o avião de volta a suas obrigações de sua “outra vida”. É uma nova fase na viagem. Dias longos, águas quase paradas interrompidas por algumas poucas corredeiras, o rio - que no início tinha cerca de 10 a 20 metros de largura - agora tem secções de 100 a 300 metros.

Alem da Muiraquitã, conhecemos pessoas em vários locais neste trecho: um grupo de pescadores que nos convidam para um almoço em seu acampamento a margem do rio, na Fazenda Buritizal, em Panelas e na pousada Rio Roosevelt. São pessoas cujas vidas tem uma forte ligação com o Rio Roosevelt e que ampliaram muito nossa compreensão da vida ao longo do rio, assim como a sua estória.

“Dia 20: a pá de seu remo tinha o formato de uma gota e metodicamente entrava e saia da água. Ele ia sentado na proa da canoa de tronco e se aproximou de nós como se encontrasse pessoas de longe remando em canoas de materiais sintéticos com a mesma freqüência que vê a selva amazônica, macacos e araras. Chico dos Santos é um seringueiro, artesão, marceneiro, construtor de remos e canoas, pescador e lavrador, e vive na palafita que construiu com sua mulher e os filhos. Na porta de sua casa se lê, escrito a giz “Welcome friends”. Foi escrito por sua filha, que mora na casa da avó em Panelas (meio dia de viagem a canoa de sua casa e cinco dias de veículo 4x4 de Aripuana) para lá poder estudar.”

Ficamos boquiabertos com as habilidades, maneiras e orgulho deste homem. Hoje, a área onde ele nasceu, cresceu e vive é uma reserva extrativista estadual. O que isso significa só o tempo vai dizer. Passamos a tarde conversando, aprendendo as maneiras de viver da terra na Amazônia enquanto fazíamos mais um reparo em uma das canoas, nos preparando para a primeira “remada” noturna da viagem.

Assim que a noite caiu, embarcamos nas canoas, preparamos uma plataforma de “trabalho” amarrando as canoas juntas e iniciamos nossa deriva. Ali podíamos cozinhar e nos ocupar com outras coisas enquanto o rio fazia o que ele faz e assim nos levava em direção a nosso destino. Nossos companheiros eram a Ursa Maior, Cruzeiro do Sul e Escorpião, uma interessante mescla de estrelas dos hemisférios norte e sul. Viajar à noite propiciava "experimentar" a Amazônia através de outros sentidos. Fantástico!

Na corredeira do Infernão, logo após o rio receber as águas do Rio Madeirinha - onde fica uma linda pousada, construída com técnica e materiais locais - marcou o início da terceira fase da descida. De acordo com o relato de Roosevelt, que íamos lendo conforme passávamos nos mesmos lugares para poder “acompanhar” a expedição deles de perto, já em 1914 aí havia um entreposto para suprir os seringueiros que se aventuravam na região.

Daqui para frente o Roosevelt é um grande rio amazônico, com trechos de remanso intercalados por algumas corredeiras, e depois “16 km de corredeiras sem parar e a Sumaúma, a maior de todas as corredeiras do rio” segundo os locais. Os “16 quilômetros” de quase constantes corredeiras terminavam com uma corredeira classe V com um volume de água impressionante. Logo abaixo dela, estava a capela da Sumaúma e um pequeno cemitério. Aqui encontramos ribeirinhos que nos informaram que se quiséssemos poderíamos ir a Transamazônica a pé, pois ela estava “logo ali”, alguns quilômetros numa trilha.

No próximo dia chegamos onde o Rio Roosevelt deságua no Rio Aripuana. Foi um momento forte para todos. Paramos de remar e assistimos ao final do Rio Roosevelt. Impossível não pensar em todas as estórias que o Rio Roosevelt nos contou através de suas águas, margens, praias, corredeiras, pessoas, insetos, historia. Após alguns minutos começamos a olhar rio acima, na direção do Aripuana, e foi impossível não pensar nas muitas outras estórias que esses rios e águas do Brasil ainda tem para nos contar.

Logo depois chegamos ao destino final, com a certeza de que muitos outros desdobramentos seguirão. Foi a primeira expedição do projeto Brasil a Remo, que visa difundir o potencial e viabilidade de visitação sustentável de locais de difícil acesso no Brasil e assim ampliar o papel de atividades recreativas/esportivas para auxiliar no desenvolvimento e/ou sobrevivência local. As regiões escolhidas no projeto sofrem pressões pelo uso da terra de alto impacto (mineração, extração madeireira, pesca, especulação imobiliária, etc.) muito fortes e a ampliação do conhecimento e visitação destes locais pode ajudar a que tenha maiores chances. O projeto também visa promover o desenvolvimento da canoagem no Brasil como veio de exploração e viagem de baixo impacto ambiental e cultural.

Uma “descoberta” impressionante é o fato da região do Sudoeste Amazônico / Noroeste de Mato Grosso ser um paraíso pouco explorado para a canoagem de águas brancas e concentra os melhores rios para sua pratica no Brasil.

O Rio Roosevelt - que é um dos vários que nascem em altitudes semelhantes, correm pela mesma formação geológica, na mesma direção e terminam na mesma altitude – é excelente, em qualidade, quantidade e características das corredeiras - na avaliação de participantes cuja experiência somada inclui várias descidas nos rios Bio-Bio e Futaleufu (Chile), Gran Canyon, Rubicon e Middle Fork Feather (EUA), Back e Hess (Artico), Drysdale (Australia).

Muitas são as lições que emergem de expedições, mas a mais importante é como ao final o que determina o sucesso é o espírito com o qual ela se realiza. Para descer o Roosevelt viajamos completamente auto-suficientes, levamos alimentos necessários para toda a duração do trajeto, todos os equipamentos de camping, peças sobressalentes, materiais e kits para reparos, telefone por satélite, mapas e extensos kits de primeiros socorros e de medicamentos e soro antiofídico. Trazíamos extensa experiência prévia em expedições de longa duração, em técnicas de canoagem, primeiros socorros na natureza (Wilderness First Responder), resgate e organização necessária para expedições.

Mas o que realmente fez com que tivéssemos sucesso foi adotar uma mentalidade onde todas as decisões eram norteadas por segurança, responsabilidade e respeito.
Abraço a todos e até a próxima,


Fabio Raimo

Para saber mais:

Seguindo as Remadas de Roosevelt -
Clique Aqui!
Livro: Nas Selvas do Brasil, Theodore Roosevelt, Ed Itatiaia

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27.9.07

 

PETAR de rede

Olá amigos.

Vou relatar a vocês mais uma trilha que fiz com rede com um grupo de amigos no início de Setembro ao PETAR - Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, localizado à sudoeste do Estado de São Paulo.


Fui acompanhado de pioneiros, o ramo dos jovens mais velhos no escotismo, todos estes do Grupo Escoteiro Raposo Tavares.
Saímos de São Paulo por volta de 22:00 na sexta feira (31/08) e chegamos no Núcleo Caboclos, no PETAR por volta de 1:30 da manhã. Ficamos hospedados em um camping que cobrou a pernoite por R$6,00.
Saímos do camping com as mochilas nas costas por volta das 9:00 em direção à caverna Temimina. A mata em alguns pontos era secundária, ou seja, já fora derrubada alguma vez, mas adentrando mais pela trilha, entramos em pontos onde ela era primária; grandes árvores nos espiavam enquanto enormes paredões de pedra se empunham sobre estes pequenos visitantes. As Arapongas nos avisavam que estávamos em seu território.

Fizemos uma parada para fazer o almoço em um grande abismo da Temimina que outrora foi um grande salão da caverna onde o teto colapsou. Infelizmente, vimos muitos rastros de pessoas lá. Não rastros como pegadas, mas restos de fogueira, cigarros, papel higiênico e até um saco plástico de quase 2 kg cheio de cal, que certamente era carbureto consumido, abandonado em uma fenda dentro de uma caverninha. Esvaziei o saco plástico e juntei o lixo, o que me rendeu uma sacola cheia.
Com as mochilas nas costas seguimos pela trilha, que agora era mais feita por “escalaminhada”. Chegando na Temimina por volta das 15hs vimos a grandeza desta caverna, com cerca de 30 ou 40 mts de altura.

Dentro dela, há um grande desnível que leva para as partes mais subterrâneas, onde há um rio escondido. O chão é coberto de uma areia fina a ponto de parecer farinha, fazendo com as mochilas ficassem barrentas com uma simples encostada no chão, já que estavam umedecidas com a trilha.
Sempre evitando de encostar nas estalagmites, afinal algumas levam 150 anos para crescer 1mm, montamos nosso acampamento. Alguns montaram as barracas, outros abriram o sleeping no chão e eu montei minha rede em duas agarras do paredão. Só na hora de dormir que pude deitar, já que ninguém queria sair da minha rede.

Foi difícil usar a minha rede

Já recolhidos, começamos a preparar a janta: Um sopão para esquentar e depois uma macarronada com atum. Neste meio tempo recebemos a visita de dois animais, muito parecidos com o gambá. Eles, na verdade, se chamam Cuíca-de-Quatro-Olhos (Philander opossum) e um deles era muito atrevido a ponto de ir farejar nossas mochilas mesmo estando aos nossos lados. Houve até um momento, na hora da janta, que um deles subiu em meu braço para alcançar a panela cheia de macarrão, mas afastamos logo animal curioso.
Provavelmente alguém já dera alguma coisa para eles comerem, fazendo assim com que não ficassem tímidos com a presença do homem. Nos precavemos pendurando todos os alimentos na parede da caverna, que era negativa. Mesmo assim, um de nós acordou no meio da noite com um deles tentando escalar a parede para alcançar os alimentos.

A noite foi muito tranqüila e sem a presença alguma de pernilongos e borrachudos.
Saímos no dia seguinte pela manhã e chegamos a nossos carros por volta das 14hs.
O local é muito bom, reservado e preservado. É impressionante avistar no meio da mata árvores e cavernas com tamanha imponência, porém super sensíveis com nossa presença.

Até mais!

Flávio Yamamoto

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23.8.07

 

Remada Recife - Fortaleza

Alô amigos da Kampa,

Depois de 22 dias de remo e 820 km navegados, a expedição Recife – Fortaleza chegou de volta às terras frias paulistanas. Foi isso mesmo que disse, Recife - Fortaleza.
Devido aos conselhos dos caiçaras experientes e ventos e correntes contrários do que estávamos imaginando, fomos obrigados a alterar nosso planejamento oficial Recife - Salvador.

A viagem, apesar de longa, foi razoavelmente tranqüila, mas com boas emoções e umas boas histórias pra contar. A hospitalidade do povo nordestino com certeza foi o ponto mais forte da viagem! Estamos arrumando as fotos e em breve vai rolar um encontro para contar as mentiras. Eu prometo avisar a todos.

Segue uma pequena amostra:











Aproveito a oportunidade para convidar a todos para participar das clínicas de rolamento gratuitas que estarei administrando na piscina dentro da Adventure Sports Fair, a maior feira de esportes de aventura da América Latina!
Aproveite para afinar a sua técnica! Faça sua inscrição pelo telefone 11 9539 5207 ou pelo e-mail
info@aroeiraoutdoor.com.br
Quinta – 23 agosto, as 19h
Sexta – 24 agosto, as 19h
Sábado – 25 agosto, as 16h

Dia 25 de agosto as 20h, eu (caiaque oceânico) estarei participando de uma mesa redonda sobre “Novos esportes de água”, juntamente com Bebeta Borsari (kayaksurf) , Guilherme Brandão (kite surf), Pedro Oliva (canoagem extrema) e Jairo (BBD Associados).
Mais informações e
inscrições aqui.

Abraços a todos e até o próximo artigo,

Christian Fuchs

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21.6.07

 

Volta ao Mundo de Bike

Olá a todos! Na newsletter de Maio, falamos sobre alimentação. Este número atrasou um pouco devido aos preparativos da expedição de nosso colaborador Christian Fuchs que está a essa hora no caiaque iniciando uma remada de 720km, partindo de Recife até Salvador com duração prevista de 23 dias. Desejamos ótimas condições de mar a ele e vamos acompanhar a “empreitada” pelo link abaixo:
720 Km de Caiaque

E como a newsletter Kampa não pode parar fomos buscar uma participação especial, direto da África: Álvaro Neil, “El Biciclown”, escreveu um texto especialmente para a newsletter Kampa. Álvaro é de Asturias na Espanha, estudou Direito e Clown (performance cômica). Atividades aparentemente incompatíveis. Vendeu seu carro e demitiu-se de seu emprego fixo em um cartório em Madrid, para percorrer o mundo de bicicleta e oferecer gratuitamente espetáculos de clown as pessoas mais humildes.Com vocês, o próprio Biciclown:

Duas árvores e um pouco de distância
Olá amigos da Kampa. Estou a ponto de entrar em um dos países mais áridos do planeta:
Sudão, um planejamento impossível para um viagem desse tipo: 2004-2014 World Tour e minha chegada ao Sudão coincide com o verão, e por conseqüência o termômetro poderá chegar aos 60 graus.
Depois de quase três anos percorrendo a África e mais de 33.000 kms, ainda sorrio satisfeito quando, no meio de uma jornada cansativa, avisto duas árvores. É preciso que não estejam muito longe uma da outra, nem tão pouco muito próximas. Também é indispensável que seja um tronco resistente caso contrário tenho que usar a imaginação e a imaginação é como a flexibilidade, se não exercita perde.

Isso me faz lembrar de Bitam, uma cidade do Gabão onde a escassez de recursos exercita a imaginação de muitos meninos. Pelas estradas da África é normal ver crianças brincando com
carrinhos de madeira que eles mesmo fabricam. Normalmente é seu único brinquedo e ocasionalmente dividem com seus irmãos que são muitos.
Em plena era do titânio e do alívio de peso a todo custo você consegue imaginar alguém andando com uma bicicleta de madeira? Pois bem aqui esta a
foto.

Outro história marcante foi conseqüência de uma pequena ferida que por quatro dias insistia em me acompanhar e obrigou-me a visitar um hospital em Tanguieta no
Benin.
Depois de ser atendido consegui falar com a freira superiora que prontamente aceitou a minha oferta para fazer um espetáculo de clown para as 115 crianças internadas no hospital. Os menores que não podiam sair das camas foram os primeiros a serem visitados. Para muitos era a primeira vez que viam um clown e eu devia conduzir com cuidado para não assustá-los. Cerca de 400
pessoas assistiram a exibição do biciclown, e na platéia também estavam os funcionários. Por uma hora a vida do hospital parou para sorrir no pavilhão de ortopedia. Espero que o destino continue trazendo feridas tão doces em meu caminho e que não se passem outros 30 anos até que outro clown volte a visitá-los .

No momento que recebe essa newslettter, devo estar em algum lugar no meio do deserto do Sudão e uma das 10
perguntas que mais recebo é se não tenho medo. Respondo que em algum lugar li a seguinte frase: “aquele que teme por sofrer, já sofre por temor”. Tenho (tinha) somente medo de viver uma vida monótona e previsível.Desde la ruta, Paz y Bien, día 923, Álvaro Neil, el biciclown.
>www.biciclown.com

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26.2.07

 

Travessia de Rede em Ubatuba

Olá amigos!

Na última newsletter demos dicas sobre nós que podem ser úteis tanto no dia-a-dia como em qualquer viagem.

Nesta, falaremos de uma caminhada tranqüila de se fazer com rede, pra um final de semana bem light e curtido com os amigos em algum lugar bem bacana.
O local escolhido desta vez foi Ubatuba/SP.



Uma das últimas penínsulas semi desertas de Ubatuba está entre a Praia da Lagoinha e a Praia da Fortaleza, onde ainda dá pra esticar a sua rede debaixo das castanheiras, na beira da praia.

Saindo da Praia da Fortaleza, pega-se a trilha que vai pro Pontão, que deve dar uns 20 minutos de caminhada. O Pontão virou há alguns anos reduto de escaladores, com as mais de 100 vias abertas.
É um lugar que vale a pena pelo visual.



Continuando pela trilha por mais 40 minutos, você chega na Praia do Cedro, onde vive apenas um caiçara, o “Seu” Benedito, que toma conta do lugar e cobra uma taxa de acampamento, para manter a praia e a bica de água limpas. Essa praia é fantástica e perfeita para se armar um acampamento de redes.


Na verdade são duas praias, separadas por uma mini ponta de pedra. Na primeira parte dela existe a bica e a casa do Seu Benedito. Na segunda, apenas chapéus de sol enormes, com muito espaço livre.

Seguindo a trilha no outro canto da praia, em mais um sobe e desce de 20 minutos, você chega na Praia do Bonete, também muito bonita. Ela possui alguns bares escondidos no meio da vila, onde se pode comer e beber algo; acampar não dá.


Aí você tem duas opções: voltar à Fortaleza por uma trilha que sobe e desce o morro ou continuar sentido Lagoinha.

Para voltar para a Praia da Fortaleza, dá mais ou menos mais uma hora de caminhada. Se quiser continuar pra Lagoinha, continue pelo outro lado da praia, seguindo a trilha que brevemente encontra a Praia do Bonetinho, Praia do Perez, Prainha e finalmente a Lagoinha, já de volta à civilização.



Abraços e até a próxima newsletter,

Christian Fuchs

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15.5.06

 

Joatinga de Rede

Olá amigos,

Na newsletter anterior, falamos um pouco sobre caiaque oceânico, este número até atrasou um pouco porque junto com a Kampa resolvemos inovar e enviar além das tradicionais dicas sobre redes, dicas sobre trilhas que podem ser feitas sem levar barraca, somente com rede de dormir.

A ponta da Joatinga é uma caminhada muito legal que, mescla Mata Atlântica com praias de primeira qualidade. É o cenário ideal pra você botar a sua rede pra funcionar. A vantagem de ter menos peso na mochila, te faz viajar mais leve, ser mais rápido, ir mais longe e se desgastar menos, assim sobra mais tempo pra aproveitar as praias!

O tempo ideal que se gasta pra fazer essa caminhada são de três dias, num ritmo tranqüilo, aproveitando as praias e cachoeiras, mas sem deixar de suar a camisa. O melhor é começar essa caminhada pelo cais de Parati. Em um final de semana prolongado, não é difícil encontrar um barquinho que esteja indo pro Pouso da Cajaíba. Duas horas e meia de viagem por um visual belíssimo é o tempo aproximado de barco até à praia do Pouso, de onde sai a trilha para Martins de Sá, uma das praias mais bonitas desse circuito. Essa trilha geralmente dura uma hora e meia e é através de um “subidão” e depois uma “decidona” no meio da mata. Se quiser conhecer mais praias, e somar mais um dia na sua caminhada pede para o barqueiro deixar você na praia Deserta, no começo da enseada do Pouso da Cajaíba e não deixe de visitar a cachoeira na praia Grande. Atravessando mais 3 praias, vc chega no Pouso da Cajaíba.

Já do lado do mar aberto da Ponta da Joatinga, Martins de Sá tem boas ondas e é local de morada do “seu” Maneco, um dos caiçaras mais conscientes que eu conheço. “Seu” Maneco mantém uma área de camping com várias árvores lindas de frente para a praia pra se armar um acampamento de redes, tem banheiros sempre limpinhos, serve refeições e cuida para que sempre se tenha um clima de paz. Só não se esqueça de levar sempre o seu lixo embora.

Se você leu nossa dica número 3, da maneira correta de se dormir em redes, terá tido uma noite maravilhosa e estará mais preparado para encarar o segundo dia de caminhada, o mais puxado de todos! Após a mini praia de Cairuçú, começa uma bela subida no meio da mata, vencendo a serrinha da ponta Negra, para chegar na praia de mesmo nome, também muito bonita. Pode-se conseguir facilmente um local para armar as redes no Cairuçu também, dependendo de quantos dias se dispõe pra caminhada. Conversando com o “Seu” Aprígio, único morador local, pode-se até estender as redes no ranchinho das canoas, com o pé na areia. Nem de toldo vai precisar... Não esqueça de abastecer o seu cantil antes da subida. Pode-se também encontrar pequenos restaurantes, que servem refeição. A praia de Ponta Negra é de tombo e fica recuada, entre costões de pedra.

No próximo dia, passa-se pelas praias de Antigos e Antiguinhos, que são muito bonitas. Fique atento para essa dica: existe um pocinho maravilhoso, seguindo o riozinho que corta a praia de Antigos, um pouco pra dentro do mato, com vista pra praia e tudo! Vale a pena a parada!

Após mais um morrinho, avista-se a praia do Sono, já com bem mais gente, campings e surfistas, pois o acesso já começa a ficar mais fácil. Passando por uma trilha bem batida e larga, chega-se finalmente ao povoado de Laranjeiras, vizinha de Trindade, de onde sai um ônibus, que volta para Parati. Só não deixe pra voltar à noite, pra não correr o risco de perder o último ônibus!

Dicas:

Enquanto a Kampa não coloca logo o BugStop para venda, não se esqueça de levar o repelente, pois como em todo lugar isolado, os borrachudos imperam!
Apesar de dar pra contar com as refeições nos feriados, leve também guloseimas e coisas pra comer ao longo da trilha.
E o mais importante: respeite sempre a cultura local e não poupe esforços para preservar esse lugar como ele é!

Links interessantes para consultar antes de partir para a trilha:

Horário de ônibus Trindade – Paraty

Mapa da trilha da Ponta da Joatinga

Google Maps


Abraços, até a próxima newsletter e se tiverem algumas trilhas como sugestão nos envie.

Christian Fuchs

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17.4.06

 

Caiaque oceânico

Olá amigos,

Na newsletter anterior, falamos um pouco sobre como evitar o frio na hora de dormir nas redes. Neste número, vou falar um pouco sobre caiaque oceânico.

Era o ano de 1997 quando um amigo me convidou pra fazer uma expedição em caiaque oceânico: dar a volta na Ilha Grande remando, 95km em 3 dias. Foi ai que começou a minha contaminação por essa atividade tão prazerosa.

Adorei o desempenho e autonomia do caiaque, a sensação de navegar sem ruído ou poluição e de chegar a locais remotos e escondidos sem deixar rastro algum. O caiaque permite navegar em pequenas profundidades possibilitando visualizar cenas da natureza impossíveis de serem vistas em outros tipos de embarcações, e o melhor, é a cara de surpresa do pessoal quando vê a gente chegar: “o que? Vocês vieram remando nisso aí?”

Incrível que apenas com aquela casquinha de fibra, se consegue ir tão longe, sem depender de ninguém... Depois da volta na Ilha Grande, fizemos várias outras: praia de Copacabana/Ilha Bela, Cananéia/Marujá , etc. Assim, fomos aperfeiçoando o modo de viajar em caiaque. Cada vez sobrava mais espaço no barco e passa-se melhor com menos apetrechos. Viajando no modo mais simples possível. Quando me lembro do volume de coisas que levamos naquela primeira viagem e nem chegamos a usar, caio na risada!

Apesar da sua autonomia, não se pode exagerar no volume que se leva no caiaque. Tudo tem que ter o seu lugar e deve-se reduzir ao máximo o volume e peso do que se carrega. Nessas horas a rede leva vantagem em relação à barraca. Geralmente nas praias brasileiras, o que não falta é árvore pra se armar uma rede.

A velocidade do caiaque é ideal para dar tempo de se absorver o ambiente à sua volta. Eu compararia até à bicicleta: a pé, muitas vezes fica devagar demais e de carro é rápido demais e não dá tempo de você absorver a paisagem que vai passando. Quanto mais simples a maneira de se viajar, maior simpatia e receptividade da população local você recebe.

Do mesmo modo que acampar de rede é tão simples para o brasileiro, que nem é considerado acampar.

Certa vez, em uma das viagens de caiaque, paramos para pernoitar em uma praia. Estávamos com as redes armadas, quando o caiçara que tomava conta do local, nos abordou em tom ríspido, alertando que era proibido acampar ali. Depois que ele notou as nossas redes, ele começou a coçar a cabeça, ficou meio sem jeito e olhando meio de lado pra nós, falou: “Na verdade, como vocês estão com rede, acho que até pode. Acampar é que não pode!” E passamos a noite papeando sobre o modo de vida naquele local tão remoto...

Christian Fuchs

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